Hoje faz cinco dias que minha filha Maria Eduarda está conosco desde o seu nascimento. Foram necessários apenas esses poucos dias para eu assimilar com proporções gigantes o tamanho da capacidade, da força, da dedicação, do amor e do trabalho de minha mãe. Guardada as devidas proporções da gestação e do que é processo de parto, além de todas as questões que envolvem o resguardo, e que eu apenas posso acompanhar em minha esposa, eu posso hoje perguntar, mamãe como você conseguiu? Multiplico por 15 todo esse processo, multiplico por 15 os cuidados que temos tido com a Dudinha e concluo, minha mãe é uma fortaleza. Reúne a fertilidade dos peixes amazonenses a força das grandes castanheiras que não se cansam de exalar o leite que alimenta a tantos e a sombra das grandes árvores para o frescor de quem caminha. Os cuidados que temos com Maria Eduarda, são muitos, um processo constantes de esterilização de todos os utensílios que usamos com ela, álcool em gel para as mãos, álcool para esterilizar o ambiente, roupas lavadas de forma especial, água fervida para o banho, preparada na temperatura certa, os cuidados de higiene com o umbigo, as vacinas, os prazos, o acompanhamento da alimentação de 3 em 3 horas. Uma complexidade que toma todo o nosso tempo. Com todos esses cuidados, me cabe outra pergunta, como eu sobrevivi? Se quando eu nasci não tinha roupa para me vestir? Como sobrevivi, se nasci no pior momento de nossa família e já havia na minha casa mais de 10 irmãos? Como meus irmãos sobreviveram, os que nasceram em condições ainda mais distante dos recursos que se vê hoje? Como eu sobrevivi se nasci em casa, nas mãos de parteira? Como você conseguiu mamãe? Pois do teu ventre nenhum se perdeu? E de teus seios jorrou leite para todos eles? Nos teus cuidados todos cresceram saudáveis, plenos, capazes e fortes? Eu tenho cinco dias de história de paternidade, minha mãe tem mais de cinqüenta anos de história da maternidade de 15 filhos que saíram do seu ventre, entre outros e netos que ela ajudou a criar, ela tem uma enciclopédia de histórias, de vitórias, de superação, de dicas, de soluções e de preocupações. Olhar para minha mãe hoje do alto dos meus 5 dias de pai, me fez concluir o quão ela é capaz, o quanto está acima da média, o quanto tem a ensinar, o quanto deve ser reverenciada, respeitada e sobretudo admirada por ser quem é, por fazer o que fez e por gerar quem gerou! Minha filha é herança de minha mãe, traz em si o gene de sua força e isso é um grande e inquestionável tesouro!
Rogério Barros






