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Eliane Eugênia (Foto: Rogério Barros)

Desde a adolescência tenho gosto por escrever. Ainda quando cursava teologia me arrisquei escrever algumas coisas. Ao longo do tempo e de muitas reflexões e leituras desanimei de escrever. Eu li tantas “rasuras”, provocadas pela falta de coerência textual, nexo de causalidade ou pela falta de profundidade que desanimei. Me preocupo com a quantidade de bobagens que vejo inclusive sendo publicas e lançadas como livros, aí penso: será que o que escrevo não é visto assim também? Respeito a coragem de quem decide publicar. Lembrei de alguém que escreveu um livro no tempo da juventude, e com a experiência e o aprofundamento no conhecimento, veio o arrependimento de ter escrito o que escreveu. Já tive texto bastante comentado, outros que passavam quase despercebidos, já tive amigos e pessoas que faziam questão de ler o que eu escrevia, outros, se tornaram quase inimigos e antipáticos a mim por meus textos. Já há algum tempo não escrevo nada, apesar de ter acumulado algumas experiências, diante das quais poderia ter produzido sobre temas relevantes, como família, amizade, igreja e os de cunho teológico. Além disso, muita coisa andou acontecendo em um cenário mais amplo que até gostaria de ter emitido opinião, mas preferi o silêncio.

No dia 31 de dezembro de 2011, escrevi 12 lições para o ano de 2012, foi o texto que meditei com a igreja no Culto do Novo, postei no site da igreja, no meu blog, que já não recebia postagens ha muito tempo, além claro do Facebook. Mandei para os contatos de E-mail e recebi algumas respostas, comentários de quem jamais esperei e um e-mail que deu razão a este texto. E-mail de Eliane Eugênia Abranches, este faço questão de transcrever na integra:

“Olá Pr. Rogério, como vai? Foram bem de festas? A Thaísa e a filhona estão bem?

Estou com saudades.

Parabéns pelo texto: PARA REFLETIR (Ec. 9.10). Estou arquivando em minha pasta…

Quero aproveitar a oportunidade para pedir para que escreva um artigo sobre educação voltando para a nossa área: teologia (fazendo um link com o CEFORTE) para que possa publicar no site?

Aguardo sua resposta. Um abraço.

Eliane Eugenia.”

A Eliane, foi minha coordenadora pedagógica quando eu fazia parte do corpo docente do Ceforte em Petrópolis/RJ, me ajudou muito na adequação do conhecimento para a sala de aula. Eliane sempre leu meus textos e arquivava em uma pasta, depois de muito tempo, a pasta ainda existe.

Bom, talvez não escreva o texto que ela pediu, mas escrevo este aqui, para dizer apenas o seguinte: O e-mail da Eliane veio com um poder enorme, trouxe uma carga gigantesca de incentivo e motivação. Talvez essa mensagem me faça produzir bastante. Há um poder muito grande no incentivo que recebi. Vale muito incentivar alguém no talento que ela possua, e se escrever é um talento que tenho, a Eliane é a maior incentivadora. Minha gratidão e carinho a Eliane por tudo!

Rogério Barros

Revisão: Noele Bruno

Pra Refletir:

Texto:

Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vais, não há obra nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma. (Eclesiastes 9:10)

Tema:

12 Grandes Lições para 2012

1. Busque em primeiro lugar o Reino de Deus e as demais coisas vos serão acrescentadas;

2. Construa um altar diário em seu coração e não permita que por suas portas entre qualquer sentimento que esteja no rol da maldade!

3. Conheça a Deus e assim você será mais capaz de conhecer os homens, quem conhece a Deus discerne facilmente as pessoas.

4. Exercite sua alma na prática da bondade e do amor ao próximo, assim você estará fazendo a vontade de Deus.

5. Sacrifique tudo o que te afasta de Deus, destrói sua família e te faz mal;

6. Trate as pessoas segundo o valor inerente ao fato de serem vidas pelas quais Jesus derramou o seu sangue, assim você estará sendo um verdadeiro cristão.

7. Tenha propósitos e sempre que alcançá-los, busque novos, quem vive sem propósitos segue o caminho da irracionalidade.

8. Sonhe com realidades e viva a naturalidade da existência, mas seja aberto ao sobrenatural e ao milagre, eles acontecem especialmente na vida de quem crê;

9. Resolva problemas sem protegê-los os problemas travam nossa caminhada;

10. Caminhe pela estrada do estudo e trabalho, ela te levará aonde os preguiçosos e ignorantes nunca chegarão;

11. Use a verdade e a sinceridade elas servem para purificar a alma e tornar reto o caráter, mesmo que você destrua relações que não se baseiam nelas;

12. Viva os seus dias sabendo que cada um pode ser o último!

Rogério Barros

Servo

Hoje faz cinco dias que minha filha Maria Eduarda está conosco desde o seu nascimento. Foram necessários apenas esses poucos dias para eu assimilar com proporções gigantes o tamanho da capacidade, da força, da dedicação, do amor e do trabalho de minha mãe. Guardada as devidas proporções da gestação e do que é processo de parto, além de todas as questões que envolvem o resguardo, e que eu apenas posso acompanhar em minha esposa, eu posso hoje perguntar, mamãe como você conseguiu? Multiplico por 15 todo esse processo, multiplico por 15 os cuidados que temos tido com a Dudinha e concluo, minha mãe é uma fortaleza. Reúne a fertilidade dos peixes amazonenses a força das grandes castanheiras que não se cansam de exalar o leite que alimenta a tantos e a sombra das grandes árvores para o frescor de quem caminha. Os cuidados que temos com Maria Eduarda, são muitos, um processo constantes de esterilização de todos os utensílios que usamos com ela, álcool em gel para as mãos, álcool para esterilizar o ambiente, roupas lavadas de forma especial, água fervida para o banho, preparada na temperatura certa, os cuidados de higiene com o umbigo, as vacinas, os prazos, o acompanhamento da alimentação de 3 em 3 horas. Uma complexidade que toma todo o nosso tempo. Com todos esses cuidados, me cabe outra pergunta, como eu sobrevivi? Se quando eu nasci não tinha roupa para me vestir? Como sobrevivi, se nasci no pior momento de nossa família e já havia na minha casa mais de 10 irmãos? Como meus irmãos sobreviveram, os que nasceram em condições ainda mais distante dos recursos que se vê hoje? Como eu sobrevivi se nasci em casa, nas mãos de parteira? Como você conseguiu mamãe? Pois do teu ventre nenhum se perdeu? E de teus seios jorrou leite para todos eles? Nos teus cuidados todos cresceram saudáveis, plenos, capazes e fortes? Eu tenho cinco dias de história de paternidade, minha mãe tem mais de cinqüenta anos de história da maternidade de 15 filhos que saíram do seu ventre, entre outros e netos que ela ajudou a criar, ela tem uma enciclopédia de histórias, de vitórias, de superação, de dicas, de soluções e de preocupações. Olhar para minha mãe hoje do alto dos meus 5 dias de pai, me fez concluir o quão ela é capaz, o quanto está acima da média, o quanto tem a ensinar, o quanto deve ser reverenciada, respeitada e sobretudo admirada por ser quem é, por fazer o que fez e por gerar quem gerou! Minha filha é herança de minha mãe, traz em si o gene de sua força e isso é um grande e inquestionável tesouro!

Rogério Barros

O nascimento da minha filha inicia uma nova história na minha vida. Às 19h50 do dia 12 de Janeiro de 2010, Deus nos deu a graça de sermos pais. O som de seu choro ecoa no meu coração com força estrondosamente arrebatadora. Um olhar para seu rostinho foi o suficiente para me fazer sentir uma estranha sensação de fraqueza e impotência, associada a valentia dos leões. Meu desejo era não sair de perto dela nenhum instante. Fui o fotografo e filmei todo trabalho de parto. Confesso que foi difícil, tem que ser forte. Fiquei inquieto até a hora que a enfermeira nos entregou ela. Do berçário ela veio direto para os braços da mãe. Depois fiquei com ela um tempo, agora ela dorme no berço ao lado da cama da mãe, enquanto estou aqui, sem nenhum desejo de se quer cochilar, apesar de estar com os olhos pesados. Minha filha tem algumas características minhas, outras de sua mãe.

Esperamos quase nove meses para tê-la conosco. Agradeço a Deus, em quem confio e a quem entrego a vida de minha filha, especialmente por ele ter dado a minha esposa uma gravidez tão tranqüila e saudável, agradeço a Deus pela vida da Drª Françoes Padula, que foi um anjo de Deus, com toda paciência e carinho cuidou de minha esposa desde os primeiros momentos de sua gravidez. Estou extremamente feliz pelo que Deus fez na minha vida, tenho uma esposa linda e maravilhosa em todos os sentidos, agora tenho uma filha lindíssima e que nos dará muitas alegrias. Estou feliz pelas manifestações de carinho por da de todos os meus amigos que são muitos. Enquanto minha esposa está como Zacarias, sem poder falar, por causa da cirurgia, Dudinha ensaia pequenos choros, um dos quais se tornou toque do meu celular. Madrugada adentra, não quero dormir, não há alegria mais intensa do que ficar olhando para o rostinho dela.

Maria Eduarda, minha filha, sonho dos meus melhores dias, expectativa de minhas maiores risadas, maior de minha apreensões, filha de minha alegria, meu amor! Ora a Deus para que você cresça linda, alegre, saudável, livre de todo mal, guardada de todo perigo, você é minha carne é meu sangue, é minha filha! Agradeço a Deus, porque sei que você tem a melhor mãe que uma criança pode ter, sua mãe é a maravilhosa, é forte, é inteligente, é determinada, segura de si e amorosa.

Te amo filha,

Rogério Barros

Vencer na vida!

Quem venceu na vida? Aliás, o que é vencer na vida? É ser um profissional altamente qualificado e bem sucedido? É ter uma família feliz e estruturada? É ser alguém acerca de quem todos dão um bom testemunho e dizem ser pessoa de bem? Não sei o que dizer sobre vencer na vida. Será que já venci? Será que ainda estou por vencer? A vida é realmente uma batalha que precisa ser vencida? Fomos feitos para lutar pelo quê? Se vivermos a vida achando que venceremos um dia, teremos sempre novas batalhas pela frente e vencer será sempre alguma coisa que ainda vai acontecer. Vitória e derrota estão ligadas a maneira que se vê e se vivi a vida. Quem vive tentando vencer alguma coisa, viverá sempre o desgosto da derrota, ou o dissabor de lutar por alguma coisa que depois de ser conquistada não trás em si nem a realização, nem a satisfação que dê significado ou pacificação a alma. Viver lutando, pra vencer na vida é em si uma grande derrota. Não há nada na vida pra se vencer, não há pelo que lutar, não faça da vida um campo de batalha, assim você verá em todos os lados adversários ante os quais você precisa mostrar que é forte e preparado. Vencer é um estigma de quem busca provar que pode, que é capaz. O que é confortador é que sob o signo da derrota de uma cruz ignominiosa a vida venceu o que deveria ser uma única vez vencida, a morte. E na derrota veio a verdadeira vitória, que já venceu o mundo e tudo o que nele há, a nossa fé. Se na derrota temos a verdadeira vitória, que é a vida recebendo significado e paz, e encontrando fora de si e em si mesma a real razão de sua existência, tudo o mais já é vencer, ao ponto de as aparentes derrotas serem feitas vitórias, visto que na compreensão do amor que vem da cruz de Cristo, tudo no final é vitória. Portanto, saber quem é você, encontrar significado para a vida, que não se acha em nenhum lugar, coisas ou pessoas é sem sombra de dúvidas vencer enquanto se vive. Vencer a vida e vencer a morte, pois nova vida se nos deu, para que aquela vida mediante a qual lutávamos por alguma coisa era uma vida velha, é o fim último de nossa existência nessa terra de canseira e enfado, onde os que não descobriram nova vida vivem correndo atrás do vento, tentando vencer uma batalha que não é mais para ser lutada. Quem vive sob a égide de uma nova vida, nunca perde, sempre ganha, nunca mede sua vitória pelas coisas dessa vida, mas pela certeza de que ela é tão-somente uma etapa já vencida de uma existência sem fim.

Rogério Barros

Tempo de Mudar!

Início de ano. Início de uma nova etapa. Novas expectativas. Novos sonhos. Novas decepções. Sempre que um ano se inicia, é como se chegássemos à sombra de uma enorme árvore depois de uma longa caminhada, sentássemos, tirássemos o cantil e bebêssemos água, a fim de recobrar o ânimo e seguir adiante, para uma caminha sem fim. Estamos no primeiro dias do primeiro mês, temos doze meses pela frente, e neles podemos ou não efetivar sonhos que tivemos e mudanças que desejamos. Ficamos ludibriados pelo excesso de propaganda e festas do fim do ano velho, pela atratividade do comércio, pelas mensagens de felicitações. Pelas ruas, casas, lojas e prédios enfeitados. Mas o verdadeiro sentido de um novo ano de fato está dentro de nós, pode ser ressuscitado, acordado ou despertado em pleno mês de agosto. Mudar não depende de uma data, de um tempo histórico. Muda-se sempre que a disposição de alma, de coração e de esperança entra em ebulição dentro de nós. Mudamos com a chegada de um grande bem, sem que data nenhuma esteja marcada para isso. Mudamos com a chegada de uma tragédia que tira de nós um bem, sem nos deixar instrução de como proceder dali em diante. Mudamos sempre que encontramos um amor, esse sempre nos salva, nos redime, nos cura, nos faz realizar, nos faz ir adiante. Mudamos sempre que entendemos que mudanças são inevitáveis quando se vive uma vida de liberdade, de graça e de pacificação. Pois assim, estamos abertos a mudanças e elas serão apenas a construção de nossa existência. Se simbolicamente esse é o tempo de mudanças, que ele seja tão-somente o tempo de compreendermos que não há dias, nem horas, nem datas que sejam mais significativas que os dias, as horas e as datas que nos mesmos escolhemos para construirmos e mudarmos a nossa própria história. E se há dias e dias nos quais damos total significação, para eles Deus não está dando a mínima importância se neles não houver verdade, vida e construção do respeito e do amor a si e ao próximo. No mais, os dias mais importantes de nossa vida não estavam nem estão no nosso calendário, não estava marcado o dia da sua fecundação, da sua morte muito menos, e essa será a maior de todas as mudanças. Não está marcado o dia em que o Senhor virá. Portanto, que o dia chamado HOJE seja sempre a maior de todas as datas e a maior de todas as oportunidades que temos para mudar, crescer, corrigir, abençoar, propagar o bem, a paz, a verdade e amor de Deus.

Feliz dia de HOJE!

Rogério Barros

Pastor

Certa vez preguei na igreja sobre “como devemos nos comportar diante das crises que enfrentamos”. Confesso que fui surpreendido pela mensagem. Estava preparado para uma abordagem e foi conduzido para outro rumo, nisto residiu a grande surpresa. Fui desejoso de que a palavra criasse nas pessoas forças para superarem as crises, sejam elas quais forem, e acabei percebendo a crise como uma grande oportunidade de mudanças. Algumas lembranças me vieram à mente, tanto na minha experiência pessoal, quanto na história e nas páginas bíblicas, de como em momentos de enormes crises grandes feitos foram realizados e mudanças maravilhosas aconteceram. Então resolvi escrever esse artigo, e propor que as crises sejam encaradas como grandes oportunidades que temos diante de nós.

Não se trata da defesa de algo ruim, ou de se desejar que o ruim aconteça para que o bom venha a existir. Essa não é a ordem das coisas. Mas, quando se vive em uma conjuntura como a nossa, quando se está sempre e constantemente à mercê de crises, sejam elas naturais, fruto da própria evolução ou acidentais e até drásticas e catastróficas. Deve-se então buscar uma alternativa, e que seja a melhor possível para se superar tais circunstâncias, saindo delas como o melhor resultado possível.

Quando olhamos para as crises como grandes oportunidades, fazemos delas degraus que nos levarão a patamares mais elevados. Uma crise, como a política, que estamos vivendo não deve produzir pessoas apolíticas, ou cidadãos desiludidos com a democracia ou o Estado Democrático de Direito, mas deve ser vista como uma grande oportunidade de moralização e limpeza dos sistemas. Essa crise deve ser vista como a oportunidade de mudança da Legislação, com fins de que ela tenha leis mais duras para corruptos e corruptores. Crise como os “Tisunamis” e os “Katrinas” devem ser vistas como uma grande oportunidade que o Criador esta dando a humanidade, um alerta para que os homens cuidem de seu habitat natural e parem, de com sua ganância, destruir a Terra. Uma Crise no seu casamento é a grande oportunidade de ele passar por um maravilhoso processo de renovação e quem sabe você sair novamente de lua-de-mel com sua esposa. Uma crise na sua vida profissional, que culminou com sua demissão é a grande oportunidade que você esta recebendo para se aperfeiçoar, fazer cursos de especializações, fazer reciclagens em sua área, busca mais conhecimento e extrair o máximo de seu potencial. Se você vive uma enorme crise existencial ou de identidade, faça dela o elevador que te conduzirá a conhecer melhor a Deus e viver de modo mais intenso ao lado dEle. Em fim, há inúmeras crises que poderiam ser aqui relacionadas. Mas quero terminar dizendo que se você está sendo fustigado, se algo tem te inquietado, se você estava no quentinho de sua cama e Deus puxou a cobertor para você sentir frio, é sinal de que você precisa despertar de seu sono e partir para a luta. Se a crise bateu a sua porta e por isso você andava pessimista e com baixa estima e desanimado essa não é a maneira adequada de se reagir, levante-te e faça do seu pior momento, a maior de suas oportunidades.

Rogério Barros

Pastor

julgamentoA Filosofia do Direito mostra que o senso de juízo é inerente ao ser humano, visto que o Direito Natural independe de qualquer doutrinamento ou codificação, ele o é no ser, no homem e na natureza. Desde o mais remoto primitivismo o homem sempre buscou estabelecer juízo sobre as questões oriundas do inter-relacionar. Seja na idade da pedra, através de suas demarcações territoriais, ou no escolher de suas cavernas, ou na formal brutal de conjunção carnal para procriação onde prevalecia o matriarcado, seja na idade do bronze com todos os indicativos de progresso humano, seja na idade do dólar onde o dinheiro é o senhor de quase todos, os julgamentos são a forma de resolver os conflitos.

Nossa vida está sempre repleta de tribunais. Alguns têm legalidade, são sérios, ordenados, investidos de autoridade, com todas as partes, peças e procedimentos, com juiz, advogados, às vezes promotores, testemunhas, réus, às vezes vítima, mas esses nem sempre conseguem fazer prevalecer à justiça. Outros são informais, são os “teatronais” que não tem hora marcada, nem dia, nem lugar para serem armados, as vezes se formam na rua, nos bares, restaurantes, nas esquinas, nas festas, nas igrejas, em reuniões privadas ou públicas. São erguidos em qualquer lugar, basta apenas ter um caso e um réu, pois os demais ou são juizes ou são acusadores, raras vezes há advogados de defesa e quase nunca os réus estão presentes. As questões que são julgadas nesses “teatronais” nem sempre são casos concretos, muitos são abstratos, alguns são reais, outros nunca existiram, mas uma coisa é certa, mesmo sem provas, às vezes com muitas dúvidas, e com nenhuma defesa, esses teatronais achincalham e lincham qualquer indefeso.

Esses nossos “teatronais” são covardes, pois nunca é conferido ao réu o direito de ampla defesa. Os julgamentos são traiçoeiros, são feitos à surdina, às escondidas, às vezes regado por xingamentos e risadas. Mas não há com o que se importar, basta ter um fato ou um boato, basta ter uma pessoa e seus acusadores, ninguém se importa, tudo vai ficar ali entre os que o praticaram.

Esse “teatronal” gosta é de ver seus réus sendo arrasados, ultrajados, culpados e condenados, ele é capaz de pegar pessoas e torna-las escórias sociais, seres indesejáveis, indivíduos indigestos, humanos humilhantes, tortos, feios, podres por dentro, fétidos e imundos no caráter e cegos na consciência. Muitas vezes por um ato que nunca cometeram, outras por um ato acidental, culposo, mas nunca doloso, e mesmo que haja dolo, nunca há piedade, mesma que haja um grito de clemência, mesmo assim não há perdão, não há misericórdia.

Pobre de quem se torna réu desse nosso “teatronal”, pois seus acusadores mesmo sendo gente torta, maldosa, avarenta, mentirosa e depositária de toda sorte de pecados, assumem a forma mais petrificada-falsificada-teatralizada de justiça, odiosamente rilham os dentes, enchem suas mãos com pedras e imperdoavelmente, com vigor implacável sepultam sob suas pedras pessoas, famílias, nomes, futuros, carreiras, sonhos e ideais.

O réu de nossos “teatronais” é vítima do mórbido desejo humano de esconder os pecados que lhes são próprios, esconder seus horrores, sua indignidade, sua feiúra de alma e sua impiedade maquiada com o verniz da hipocrisia e ornada pelas cascas do moralismo, por detrás de pseudos-monstruosos-delitos. O lema dos membros desses “teatronais”, que não querem ver seus pecados escritos na terra, é: “julguemos e condenemos para que se ocultem os nossos próprios pecados, pois sempre deve haver um bode expiatório que leve sobre si os nossos pecados”. Em nossos “teatronais” prevalece o dolo, a parcialidade e os interesses pessoais. É o lugar em que a língua assume o seu poder de fogo do inferno e consome quem quer seja.

Graças ao Deus magistral, ao Senhor da Justiça, ao Sol da Justiça que traz luz sobre as trevas da maldade humana. Graças ao Justo Juiz, ao grande Justificador, ao Advogado dos oprimidos e dos indefesos, graças ao que vê o coração, ao que sonda as mentes, ao que discerne as intenções, por sua Palavra: “Aquele que não tem pecados seja o primeiro a atirar pedras”. Essa Palavra destrói o “teatronal humano” e estabelece o “tribunal da consciência” onde o Juiz faz prevalecer à verdade, e dela ninguém pode fugir.

Aos humilhados nos “teatronais” da vida, há a esperança de ouvir daquele que é justo e santo, bondoso e amoroso: “Os teus acusadores não mais existem, fugiram em face da suja consciência, os teus pecados estão perdoados, vai-te e não peques mais”.

Viva e faça viver, morra apedrejado se preciso for, mas viva para evitar que esses “teatronais” se formem, nunca fazendo parte dele. Viva sem apedrejar, pois quem com pedra fere com pedra será ferido!

Deus nos julgue e nós nos amemos,

Rogério Barros

abraao_isaque2Pela fé ofereceu Abraão a Isaque quando foi provado” (Hb 11:17). Na disposição de Abraão em sacrificar seu único filho, o qual ele amava, no Monte Moriá, surge a tão usada frase: “o Senhor proverá”. O Sacrifício-posicional (sacrifício que aconteceu na esfera da vontade e da firme decisão de ir até as últimas conseqüências para obedecer ao pedido divino), inaugura uma nova e redentora dimensão de fé.

Uma rápida observada nos conteúdos de púlpitos, ensinos e literaturas sobre o tema Fé, percebemos o Jeová Jiré, como o Deus que proverá. Para os crentes significa Aquele que não permitirá a falta de coisas básicas para a subsistência da vida, como alimentos, moradia, roupas, emprego; quando não coisas que são geradores de conforto na vida, como carros, móveis, e uma infinidade de bens supérfluos.

Ao relacionarmos a fé que o sacrifício-posicional de Isaque gera, à mera garantia de coisas fora de nós, de bens, de vantagens, construções ou conquistas, anulamos a grandeza e o profundo significado daquele acontecimento. E, deste modo, reduzimos a Fé ao nível mais baixo, característico das barganhas religiosas mais primitivas.

Jesus disse que os passarinhos não ajuntam em celeiros e o Pai celestial provê todos os dias o alimento para eles, os passarinhos não precisam de fé para comer. Jesus falou ainda dos lírios dos campos que se vestiam com enorme beleza e eles também não podem crer. Gênesis nos diz que Caim após assassinar seu irmão Abel, fugiu da presença de Deus e errante pela terra, edificou uma cidade, veja que não foi uma casa que ele construiu, ele edificou toda uma cidade, toda uma sociedade, conquanto essa sociedade tenha sido destruída, mas as construções e conquistas materiais de Caim não foram resultado de fé em Deus. Vejamos que esse ciclo se desenvolve desde as civilizações mais antigas até os dias atuais. Os homens, comem, vestem-se, desenvolvem os mais diversos e dinâmicos recursos para a satisfação de seus prazeres e vontades. Constroem cidades e desenvolvem as tecnologias mais avançadas sem nenhuma fé em Deus, ao contrario andam no caminho de Caim, fugitivos da presença de Deus e errantes pela Terra.

Quando Abraão pronunciou a Frase: “O Senhor proverá para si o cordeiro”, o que povoava o coração e a mente de Abraão era uma questão de vida ou morte, de existir ou deixar de existir, não havia ali nada que não fosse relacionado a obediência irrestrita a Deus. A manutenção de um pacto que era inquebrável, e a adoração a Deus que inclui a oferta dos sentimentos mais profundos da existência humana.

Portanto, a Fé de Abraão não era para garantir bens, não era para receber nada em troca. Não tinha uma proposta do tipo: “-tudo isso te darei se sacrificares o teu filho. Alguém pode dizer: “E o carneiro que apareceu preso pelos chifres no meio dos arbustos? Não foi uma provisão material?”. O cordeiro era um animal de fato, mas ele não representa bens e nem  vantagem qualquer, ele apenas representa a substituição redentora, como uma prefiguração da substituição que Deus realizou quando deu seu filho para morrer em nosso lugar na cruz. Conseqüentemente, nada têm relação com bens, construções e conquistas, mas com a vida, com a existência. A fé do sacrifício-posicional de Isaque, a fé que revela o Jeová Jiré, é uma fé que nos tira do caminho de Caim, que resolve em nossa alma o problema da fuga e da vida errante. É fé que gera o encontro mais genuíno, autêntico, verdadeiro e sincero com Deus, sem barganhas e sem coisas que interfiram nessa relação de enorme grandeza. É a fé que nos faz ser amigos de Deus.

Rogério Barros

Pastor

Milagres

milagres“Milagres-milagres” são exceções, portanto, não se pode buscá-los como regra. Ninguém pode garantir que eles acontecerão, são exceções que aconteceram e acontecerão apenas para ilustrar e nos despertar para o poder de Deus. Durante o processo do “milagre-milagre”, somos despertados para a valorização do “milagre-fenômeno”. O homem que vivia há trinta e oito anos em uma cama, afligido por uma paralisia, quando foi curado pela simples palavra que dizia: “levanta-te, toma o teu leito e anda”, viu no “simples-fato-de-andar” um grande “milagre-fenômeno”. Quando o cego lavou os olhos no tanque de Siloé, e foi curado por um “milagre-milagre”, a contemplação da beleza das cores, da harmoniosa natureza se tornou um maravilhoso milagre-fenômeno. Quando o menino lunático foi liberto, o simples raciocínio, a mera condição de ser lúcido e equilibrado se tornou em verdadeiro “milagre-fenômeno”. Quando o filho da Viúva de Naim foi ressuscitado, sua volta à vida passou a ser um grande “milagre-fenômeno”.

Jesus deixou preciosas lições tanto na observação do “milagre-fenômeno”, quanto na realização do “milagre-milagre”. Há diversos exemplos de lições que têm com matéria-prima os “milagres-fenômenos”, os pássaros que não guardam em celeiros, as flores que não tecem, as árvores do campo, a semente que brota da terra e se torna a maior das hortaliças, os campos prontos para ceifa, o pão que simboliza o corpo, o vinho que simboliza o sangue, o vento e sua indecifrável liberdade de soprar em todas as direções, o semeador que saiu a semear. Todos esses “milagres-fenômenos” foram elementares para a construção de grandes doutrinas e tornarem-se base de revelações que conduzem ao caminho da salvação.

Jesus não interferiu no curso fenomenológico da vida e do mundo, apenas abriu algumas aspas para mostrar a sobrenaturalidade de sua missão e o poder do Pai que o comissionou. Jesus não curou todos os enfermos que viveram no território de Israel ou em sua cercania milagrosamente, é certo que muitos foram curados por uma intervenção do “milagre-milagre” de Jesus, mas muitos foram curados pela ministração dos remédios da época, certamente muitos morreram, a exemplo de Lázaro, e não foram ressuscitados.

Recentemente minha esposa refletindo sobre o processo de gestação, e sobre muitas questões e riscos da gravidez, concluiu:

“amor na verdade o verdadeiro milagre é ter uma gravidez tranqüila e um filho saudável”.

Essa conclusão é uma inflexão, um retorno à observação do “milagre-fenômeno” e sua conseqüente valorização. Falta-nos voltar à valorização dos constantes milagres-da-vida, na simplicidade com que brotam da terra, na leveza com que se processam e especialmente na beleza com que se harmonizam.

Os que acreditam que o “milagre-milagre” é uma regra divina, uma obrigação ou a única prova de que Deus nos ama, fecham os olhos para a constante e abundante chuva de “milagres-fenômenos” que inundam e abençoam ininterruptamente nossa existência na terra. Gloria a Deus pelos “milagres-fenômenos”, eles sim são regras. Os que vivem a busca constante por “milagres-milagres” se frustram quando eles não acontecem, mas por uma fé-inculta não desistem, esses passarão a vida e não contemplarão, não gozarão e não serão partícipes dos enriquecedores “milagres-fenômenos”.

Rogério Barros

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